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Mardi 11 septembre 2007

Etonismo: anti-excluismo entre dois polos tendenciais?

 

Patrício Batsîkama

 

Platão coloca na boca de Sócrates as seguintes palavras: «... nós impedimos que o sapateiro tenta ser ao mesmo tempo lavrador, ou tecelão, ou pedreiro, e só o deixámos ser sapateiro, a fim que a obra de sapateiro resultasse perfeita...»(República, 374c).

 

Do existencialismo

Regra geral, o existencialismo coloca o homem no centro da reflexão (de forma que a sua existência precede a sua essência) uma vez que esse é dotado da liberdade, a partir da qual conquista a sua essência (versão sartriana).

«Sou, logo existo». Pelos cincos sentidos, o homem pode ser (talvez estar?) no «centro» da reflexão. Portanto, tendo conta da sua evolução, é impossível negar um «periodo» que o «pré-Homem» não consegue corresponder a «Sou, logo existo». Será possível um bébé de um mês consciente da sua existência como homem? Ou vejamos: uma gravidez de um ou dois meses, não pode ser consciente de «Sou, logo existo», bem que biologicamente é ser vivo. São portanto seus pais que porém têm consciência da sua existência. O que levaria a falar talvez da pré-existência inconsciente na própria «existência». Mesmo depois de nascer, é preciso que o bebé interiorize os códigos das línguagens para tomar consciência da sua própria existência, saber da sua própria liberdade enquanto Ser Vivo. E, isso leva muito tempo. «L’homme c’est rien, l’heure c’est tout», tal como o disse Gustave Flaubert parece explicar o papel imperativo do tempo. Descartes, na sua Sexta Meditação, também nos fornece substância para melhor entender o tempo mecânico como o determinante da evolução. E o tempo psicológico seria nesse caso o determinante da inteligência. E, quando ambos tempos convergem na fisionomia humana[1] – dai a razão da socialização (no Ensino é a mais eficaz) – o Homem toma consciência da sua existência, compreende algumas inquietações da sua existência global, e dá conta de que é realmente o centro da reflexão. Isto é, tempo filosófico.

 

Portanto, o quê é a pré-existência? Como é possível algo existente não puder dar conta da sua própria existência? Ou talvez, será que ignoremos de como ela sente essa existência? Quem somos? Donde vimos? E onde vamos? Ao longo do tempo, muitas teorias existiram, entre elas: reincarnação, resureição, etc. E hoje já que vivemos na Era da Technologia, qual teoria poderia satisfazer a inquietação do Homem respeitando literalmente as exigências dessa caprichosa Era?

Em princípio, o Homem é somente Homem quando a experiência lhe consciencializa e lhe fornece os instrumentos racionais de se identificar a si mesmo. A cada segundo a Natureza está a deixar de ser aquilo que sempre foi. Nas idades imemoráveis, foram Dinausoros, Mamouth que transformaram-na, e hoje o «Homo Tecnologicus» transformá-la poderosamente de várias formas, aquecendo-a por exemplo.

 

Essencialismo esquecido?

Parece «verdade», a existência é a priori para o raciocínio positivista. O transcendentalismo de Kant é uma das provas. A Natureza que geriu e balizou a evolução humana existe antes de que o Homem tome pleina consciência da sua «existência»: isto é, do seu papel e, inevitavelmente, do seu lugar na compreensão e continuidade de um Universo falsa ou pretenciosamente domindado e suas extremidades inatingíveis.  Homem existe antes de ser um indivíduo, mesmo se consideremos a tão elementar teoria socrática sobre a «imortalidade da alma». Portanto, condicionada pela liberdade, a satisfação humana é «objecto» do Homem enquanto «ser existente». Com isso, ele próprio se coloca entre 1) as condições sustentadoras da Natureza e 2) as Consequências que, naturalmente, o Homem se vê forçado de produzir para satisfazer seus «íntimos desejos»: Cultura e garantir a sua «longitivité». Logo, notamos que a existência pode ser subjectiva e global (objectiva) e que o Ser humano tome consciência das suas existências paulatinamente, ao fortalecer suas faculdades, sem as quais seria demasiadamente vazia, essa existênca.  

 

Nesse caso passa a ser inseguro dizer que de forma radical, o existencialismo seria a mais provável versão que explique a funcionalidade da Natureza com a participação imperativa do Homem. É de facto verdade, se optarmos uma vertente materialista, que o Ser Humano esteja na base da transformação da Natureza, o que precipitadamente nos força afirmar que o Homem estaria no Centro da Reflexão (presenciada pelos factos) que determina o Universo. Nada impede dizer com a mesma lógica que Dinausoros também ao transformar a Natureza teriam assumido inconscientemente a fórmula «Sou, logo existo». Mesmo se eles próprios o desconhecem, pelo menos o Homem não poderá negar tal facto. Com isso pretendemos afirmar que, caso aceitemos essa versão como verdade, o Homem nunca foi ao longo da sua História o único Centro do pensamento como existência.

Essencialismo deriva da insensibilidade?

Conhecemos o mundo através de cinco aparelhos sensíveis. Infelizmente, esses «cinco aparelhos materiais da sensibilidade» não são exclusivos para entender todo funcionamento da existência. Aliás, a Natureza reune uma série de «elementos» que se justificaria pela uma existência cujos nossos sentidos físicos não podem captar satisfatoriamente. Uns falem de Sexto Sentido e outros de miticismo. É tão verdade que estejemos dominadados pelas teorias e versões que pretendem colocar a «existência definida pelos sentidos» como único «campo de conhecimento humano» para estudo relativo do porquê um Universo tão infinito seja aparentemente «definido» e intermitentemente «controlado» por um «Ser finito» que é Homem mortal. Será o Universo também mortal? Ou seja o Homem seria imortal? Ou ainda seria o «Universo explicado pelo homem» um simulagro? Regulariza-se uma série de incompreensões ineluctáveis com permissível unilateralidade do «Homem consciente social». Ora, se o que existe é definido pela sensibilidade, a essência seria então o seu contrário: insensibilidade. Ou seja uma sensibibilidade insensível?

Definimos o essencialismo por «filosofia que propõe como seu objecto as essências dos seres e não seres existentes». A essência é o «conjunto das qualidades pelas quais um ser é definido e sem os quais não terá realidade alguma quanto a sua existência».

A existência definida pelos cincos sentidos humanos não seria a única. Talvez uma face, atrás da qual se esconde uma outra. O enigma de Ovnis pelos cientístas (biofísicos, fisiólgos ópticos, etc.) nos provaria isso. Aliás não se pode negar da existência dos seres mais inteligentes do que o Homem, a pesar de essa existência ser dificilmente perceptível pelos «os então» sentidos limitados humanos. E como podemos o notar somente a essência providencia explicações: 1) o relatório do piloto Frederick Valentich no último dia do ano 1978 e muito antes, Georges Adamski já tinha comunicado nos anos 50 ter encontrado os visitantes do espaço exterior (aliás, isso é fundamentado por uma série de fotografias indicando claramente seis naves-patrulhas emergindo do fundo de uma nave-mãe); 2) as visões durante o sono se realizando na vida real, tal como Abraham Lincoln sonhara com o seu caixão alguns dias antes da sua morte; 3) a preconceptualização antecipa a materialização, logo a essência dum outro modo, precede a existência.

Nem com isso pretendemos demonstrar a «essência dos seres» como teoria mais plausível. É evidente que interiorizamos a essência consoante a «existência dos seres e da natureza» se apresenta à nos. Mas o facto dessa «existência» – tal como vimos ultrapassa os sentidos físicos humanos, ou até podemos dizer sentidos «espirituais» derivados dos primeiros – não ser exclusiva quanto a «compreensão», indica que o homem só estaria no centro da reflexão caso for considerado como único pensante. Ora, tal hipótese parece menos tendenciosa pela gravitação de inumeras especulações dos seres inteligentes, da possibilidade duma vida fora do planeta Terra, assim como tantas coisas que ainda não foram «bem sentidos», ou seja, trata-se aqui das sensibilidades insensíveis, se nos permite a expressão.

 

V. Etonismo: do essencialismo ao existencialismo

A harmonia pode ser considerada como a convergência das controversias. A condição vivencial de duas pessoas com ideias diferentes, aspirações contrárias, procedimentos distinctos e posturas adversárias, é uma impossibilidade caso partimos do existencialismo positivo tal como definido «Sou logo existo». Com isso, jamais um rei aceitaria viver ao lado dum zé-ninguém, até porque as realidades sociais os separam para já como «seres existentes diferentes». Tal existencialismo, talvez sustentada pela forma que os dois foram socializados, favorece alguma estrutura social estável.

Ora, partindo da essência, o rei e zé-ninguém são simplesmente «Homem». Os Iluministas teriam dado conta, e por conseguinte foram proclamados os «Direitos do Homem».

Nessa senda o existencialismo tal como explicamos atrás promove a harmonia social sustentada pela inter-independência funcional. Em si, não basta uma vez que a inter-dependência estrutural é uma versão do essencialismo. Para melhor explicar isso, voltemos aos dizeres que Platão coloca na lingua do sábio Sócrates (supra).

António Tomas Ana Etona é escultor, isto é um pensador que se exprime através da sua escultura. Quando adquire troncos para seu atélier, tem sempre tendência de notar 1) as partes deterioradas pelos insectos e 2) deformações naturais ou acidentais do tronco. Se comparamos a intensão de Sócrates, veremos uma convergência intensional entre o escultor angolano e o filosofo grego.

O homem é egoista por natureza. Gosta de ser o melhor, o bonito, o mais falado, o mais inteligente, o mais seguro, etc. Etonismo na vertente existencialista evidencie a impossibilidade duma harmonia segura e demorada uma vez baseada nos «seres (já) existentes», dando assim lugar a heterogeneidade dos constituintes unificados pela sua essência. Na sociedade identifica três tipos de homem e explica como perante os seus elementos entimemáticos (tribalismo, racismo e discriminação), pode, sem grandes «forças totalizantes[2]», a inter-independencia funcional ser sustentada: dando conta de a essência dos mesmos, tudo indica que são «pseudo-problemas» fomentados com teorias existencialistas baseadas em factos positivos reais, mas no entanto menos diagnosticados. Um racista declarado só pode ser racista contra si próprio (e assim também para o tribalista ou discriminador) pelo facto de a sua acção ter reacções idionsincráticas de ordem circunstancial. Se recusar um branco porque é negro numa ocasião (porque já existem tais quais), pela mesma moeda será pago: a vingança é naturalmente humana, porque nutrida pelo egoismo.

Assim, etonismo considera os «seres (já) existentes» como a mascara das suas essências que, portanto, foram condicionados nas casualidades determinadas pela inter-independência humana, essa sendo sustentada pelas suas individualidades que somente, em termo de Direito por exemplo, é instrumentalizado pela Lei ou outro instrumento de conduta social a fim que resultasse a harmonia social. Etonismo defende que toda harmonia social é pré-estruturada pelas essências dos constituintes uma vez que tomem consciência de quanto são essencialmente uma indeferência variável e variada na sua pretensa existência. Se basearmos nos «seres (já) existentes», a harmonia social não resistirá suficientemente perante as vicissitudes e alterações, porque essas não a favorecem pelo facto de que os prórpios «seres existentes» são sobmissos a intermináveis alterações (nos traços da personalidade, por exemplo).



[1] Condicionada pela evolução física, mental e sentimental.

[2] A Lei por exemplo é uma imposição para melhor egularizar a vida social.

 

 

 

Par James E. Cliff - Publié dans : worldart
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