AFÓ E O SEU KIMOYÔNGI 2008
Vou chamar esse espaço MITOSOFIA porque poderei abordar qualquer tema. E para já vou começar por Masongi Afo uma vez que está a prever uma exposição individual nos próximos tempos.
Masongi Afonso é um escultor-ícone de Angola, não só porque já ganhou PNCA-Artes Plásticas, mas sobretudo porque é professor na Escola das Artes plásticas em Angola. Estou informado que está a prever uma exposição com 18 obras (18 províncias de Angola). Essas esculturas, constituem um «estudo semiótico» específico sobre as consequências «Angola em guerra» que autor identifica esteticamente os domínios afectados e, ao que me pareceu, propõe os reparos. É escultor, logo não podia fazer de outra maneira.
São madeiras que escultor «queimou» à bon escient, tal como os Angolanos hoje reconhecem ter queimado seu país. E como os Angolano estão a tentar transformar o «seu passado» Masongi Afó, aproveita registar a actualidade em suas esculturas (que o MiniCult podia adquirir para o museu) respeitando a linha filosófica de transformar «a maldade em benigno». Mais um aditamento na sua linha pensativa…
Emmanuel Kant mostrou através da axiologia do belo que arte é ao mesmo tempo desgostoso/gostoso, odioso/amoroso, horrível/benigno, feio/bonito, etc. Pois é nesse aspecto que se deve entender próxima exposição do Mestre Afó. Ele dá o valor estético naquilo que nos lembra mágoa; registra um período complicado da História angolana com perspectiva encantadora; faz-nos ver com alegria aquilo que nos provocava aljôfares, etc. Eis um deus, capaz de transformar o que é mal em boa coisa. Entre nós Angolanos, quem comete um erro num determinado assunto, não presta para nada, logo é tido como «demónio». O escultor convida-nos a ter capacidade de transforma o mal para o bom. É através dessa filosofia que os Angolanos optaram pela Reconciliação e reconstrução Nacional.
A Lógica é ciência das linguagens. Por linguagens deve-se se entender 1) palavras, signos, símbolos, cores, etc. 2) mímicas, etc. Enquanto as palavras têm dicionário para explicação, os signos por exemplo ainda carece de boas lexicografias. Porém, a semiótica – teoria geral de signos segundo C. S. Peirce – nos facilita as vezes descodificar as linguagens mais subjectivas como a da arte. Se dum lado deve se criar os signos, do outro vejo essas propostas do «Jardin Kimoyôngi» como motivo de consciencialização para 1) salvaguardar o património cultural angolano (História escrita de outra maneira); 2) criação das escolas da Arte (visual, plástica, cénica, etc.) e a sua expansão nas províncias, 3) criação dos suportes institucionais e académicos para melhor orientação das coisas.
Patricio Batsîkama
Filósofo & Historiador da Arte
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